Em 13 de junho de 2024, uma lei federal deu a uma cidade da região serrana do Rio de Janeiro um título pouco comum: Capital Nacional da Moda Íntima. A cidade é Nova Friburgo, e o título não é simbólico — ele reconhece um polo industrial que já existia havia décadas e que segue movimentando uma parte relevante da indústria brasileira de vestuário íntimo.
A lei e o que ela reconhece
Segundo a Agência Câmara, a Lei 14.883/2024 tornou Nova Friburgo a Capital Nacional da Moda Íntima. O projeto havia sido aprovado antes pela Comissão de Educação e Cultura do Senado, em maio de 2024, conforme registrou a Agência Senado na época. As duas casas do Congresso citam os mesmos números de base para justificar o título: a cidade produz cerca de 114 milhões de peças por ano e sustenta cerca de 20 mil empregos no setor — 10 mil diretos e 10 mil indiretos –, distribuídos por cerca de 160 lojas dedicadas ao segmento.
Nova Friburgo também sedia a Fevest, descrita pela Agência Câmara como a maior feira de lingerie da América Latina, um evento que reúne fabricantes, lojistas e compradores de várias regiões do país em torno da produção local.
Um polo dentro de uma indústria maior
O peso de Nova Friburgo faz mais sentido quando colocado ao lado do tamanho da indústria têxtil brasileira como um todo. Segundo a ABIT, a cadeia têxtil e de confecção do país reunia, em 2024, cerca de 25,7 mil empresas e 1,34 milhão de empregos, com faturamento anual na casa dos R$ 221 bilhões — um setor amplo, do qual a moda íntima é apenas um segmento, ainda que um dos mais identificados com cidades específicas do interior do país. Nesse conjunto, a ABIT também posiciona o Brasil como o segundo maior produtor mundial de denim e o terceiro maior em malhas, uma família de tecido que inclui boa parte da matéria-prima usada na própria moda íntima.
Dentro desse segmento especificamente, um número verificado pelo Observatório do Sebrae de Santa Catarina, com base em dados da ABIT, dá uma ideia do volume nacional: atualmente são produzidas cerca de 1,5 bilhão de peças de moda íntima por ano no Brasil, movimentando aproximadamente R$ 3,6 bilhões anuais no setor. O mesmo levantamento do Sebrae/SC cita Ilhota, em Santa Catarina, como outro polo relevante da moda íntima no país — prova de que a produção brasileira do segmento não se concentra em uma única cidade, ainda que Nova Friburgo tenha recebido o título nacional.
Por que um título federal importa
Um título como esse tem efeito principalmente simbólico e de visibilidade: ele não cria, por si só, incentivo fiscal ou política industrial específica, mas reconhece formalmente, em lei, um arranjo produtivo que já emprega dezenas de milhares de pessoas e abastece lojas e fábricas em todo o país. Para uma indústria pulverizada em milhares de pequenas e médias empresas — como é o caso da moda íntima brasileira –, esse tipo de reconhecimento ajuda a dar visibilidade nacional a um setor que, no dia a dia, é formado majoritariamente por confecções de porte médio e pequeno espalhadas por diferentes estados.
O caminho legislativo também mostra que o reconhecimento não foi uma decisão isolada: o projeto passou pela Comissão de Educação e Cultura do Senado antes de virar lei, com a Agência Senado registrando, em maio de 2024, os mesmos números de produção e emprego que a Agência Câmara confirmaria um mês depois, na sanção da Lei 14.883/2024. Duas casas legislativas, em momentos diferentes, chegaram ao mesmo retrato de um polo que já funcionava havia anos antes de ganhar o título formal.
O fio que liga história e indústria
A história da moda íntima no Brasil não começa nem termina em Nova Friburgo, mas a cidade é um bom retrato de como um setor nascido de tradição local de costura e malharia pode crescer até se tornar uma indústria de escala nacional, com feiras próprias, milhares de empregos diretos e indiretos, e agora um título federal que reconhece esse papel.
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Fontes
- Agência Câmara de Notícias. Lei torna Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, a Capital Nacional da Moda Íntima. Câmara dos Deputados, 2024. camara.leg.br · reprodução autorizada mediante a assinatura Agência Câmara (resumido).
- Agência Senado. Nova Friburgo (RJ) será a Capital Nacional da Moda Íntima, aprova CE. Senado Federal, 2024. www12.senado.leg.br · reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado (resumido).
- ABIT — Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. Indústria têxtil e de confecção aumentou a produção e gerou 30 mil empregos em 2024. abit.org.br, 2025. abit.org.br · todos os direitos reservados (citado).
- Sebrae Santa Catarina. Moda íntima no Brasil e em Santa Catarina. Observatório Sebrae/SC, 2026. sebrae-sc.com.br · todos os direitos reservados (citado).
