Por que existem classes, e não só um número solto
Quando você vê “compressão leve”, “média” ou “alta” numa etiqueta, isso não é uma impressão subjetiva de quem fabricou a peça — é uma faixa de pressão definida por um padrão técnico, medida em mmHg. Ter classes fixas serve para que uma peça “média” de um fabricante entregue uma pressão parecida com a de outro, em vez de cada marca chamar de “média” o que quiser.
As quatro classes do RAL-GZ 387
O selo alemão RAL-GZ 387, usado como referência por boa parte da indústria de meias e peças de compressão médica, organiza a pressão no tornozelo em quatro classes:
- Classe 1: 18 a 21 mmHg
- Classe 2: 23 a 32 mmHg
- Classe 3: 34 a 46 mmHg
- Classe 4: 49 mmHg ou mais
Essas faixas não são arbitrárias: institutos de teste como o Hohenstein, na Alemanha, verificam se uma peça realmente entrega a pressão da classe que promete, usando equipamentos capazes de medir pernas de 12 a 150 cm de circunferência, dentro dos critérios do próprio selo. Uma revisão científica publicada na Polymers registra que meias de compressão médica voltadas para varizes costumam ficar na faixa de 20 a 30 mmHg — um intervalo que atravessa a Classe 1 e a Classe 2 do selo alemão, o que dá uma ideia de como esses números técnicos se traduzem numa faixa de uso comum.
Como a pressão varia dentro da própria peça
Uma classe de compressão não significa uma pressão única e fixa do início ao fim da peça. Um estudo publicado na Materials mediu, por exemplo, que uma meia de compressão moderada pode exercer cerca de 32 hPa (aproximadamente 24 mmHg) no tornozelo e cair para cerca de 11 hPa na altura da coxa — a classe descreve o ponto de maior pressão, geralmente na extremidade, e a peça vai afrouxando gradualmente a partir dali.
O que muda o número de uma peça para outra
A pressão que uma peça compressiva exerce não vem de um único fator. Uma revisão científica publicada na Polymers descreve que ela depende da combinação entre o tipo de fibra elastomérica usada, a construção da malha e a modelagem da peça. Um estudo mais recente, também publicado na Polymers, mediu esse efeito com mais precisão: cada fio adicional de elastano tricotado numa malha de compressão acrescenta, em média, cerca de 2,03 mmHg de pressão. Ou seja, duas peças com o mesmo corte podem ter classes de compressão diferentes simplesmente por causa da quantidade de fio elastano usada na malha — não é só uma questão de “tamanho mais justo”.
Compressão mais alta não é sempre “melhor”
Vale repetir um ponto que já apareceu neste guia: pressão insuficiente reduz a eficácia de uma peça de compressão, mas pressão excessiva não traz um benefício maior — só desconforto. As classes existem justamente para que cada pessoa use a faixa de pressão adequada ao que precisa, nem mais, nem menos. Escolher uma peça de classe mais alta do que a indicada, na esperança de um efeito mais forte, tende a produzir só desconforto, sem ganho a mais.
Quem decide qual classe usar
Esse é o ponto mais importante deste artigo: a classe de compressão indicada para cada situação é uma decisão médica, não uma escolha que se faz sozinho a partir de uma etiqueta ou de uma recomendação genérica. Cada classe atende a necessidades diferentes, e quem avalia qual delas cabe ao seu caso específico é o médico que acompanha você.
Uma ressalva sobre onde essas classes se aplicam
Vale registrar algo para não generalizar demais: o RAL-GZ 387 e a maioria dos estudos citados aqui foram desenvolvidos e testados sobre meias de compressão para as pernas, onde a pressão costuma ser medida num ponto padronizado, o tornozelo. Para peças que cobrem outras partes do corpo, o princípio da compressão graduada é o mesmo, mas o ponto de referência da medição muda — e nem toda peça do mercado publica esse número por classe. Isso não invalida a explicação acima; só ajuda a entender por que a classe aparece com mais frequência em meias do que em outros tipos de peça.
Onde ver as opções
Para navegar pelos modelos disponíveis, o catálogo reúne as categorias da Bellcorpus. Se restar dúvida sobre qual peça faz sentido para o seu caso, a equipe está disponível pelo Contato.
Fontes
- Hohenstein Institute. Testing of medical compression textiles according to RAL-GZ 387 and DIN 58133. Hohenstein, 2026. hohenstein.com · todos os direitos reservados (citado).
- Lozo M, Penava Z, Ledinsky I, Vrljicak Z. The Structure and Compression of Medical Compression Stockings. Materials (MDPI), 2022. pmc.ncbi.nlm.nih.gov · CC BY 4.0 (resumido).
- Xiong Y, Tao X. Compression Garments for Medical Therapy and Sports. Polymers (MDPI), 2018. mdpi.com · CC BY 4.0 (resumido).
- Li NW, Kwan MY, Yick KL. Pressure and Thermal Behavior of Elastic Polyurethane and Polyamide Knitted Fabrics for Compression Textiles. Polymers (MDPI), 2025. mdpi.com · CC BY 4.0 (resumido).
