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O que significa mmHg numa peça de compressão

mmHg é a unidade que mede a pressão de uma peça compressiva sobre o corpo. Entenda o que ela indica.

Mostrador redondo de um medidor de pressão, sem números ou texto
Ilustração gerada por IA

A unidade por trás do número

mmHg quer dizer “milímetros de mercúrio” — a mesma unidade usada para medir pressão arterial. No mundo do tecido compressivo, ela descreve outra coisa: quanta pressão uma peça exerce sobre a pele quando está vestida. Quanto maior o número em mmHg, mais forte é a compressão que aquele ponto da peça aplica. É uma unidade física, a mesma em qualquer fabricante ou país, o que a torna útil justamente porque não depende de como cada marca descreve o próprio produto.

A pressão não é igual em toda a peça

Uma peça de compressão bem projetada não aperta igual do início ao fim — ela segue o que a indústria chama de compressão graduada, mais forte numa extremidade e mais suave conforme se afasta dela. Um estudo publicado na revista científica Materials mediu isso diretamente: meias de compressão moderada exercem cerca de 32 hPa (aproximadamente 24 mmHg) no tornozelo, caindo para cerca de 11 hPa na altura da coxa; já em meias de compressão alta, a pressão no tornozelo chega a 60 hPa (por volta de 45 mmHg), também caindo de forma gradual mais acima. Segundo os mesmos pesquisadores, essa gradação depende de quanto fio elastano é tricotado por carreira de tecido — mais fio elastano numa carreira, mais pressão naquele trecho específico da peça.

Uma revisão publicada na revista Polymers chega a uma faixa parecida: meias de compressão médica voltadas para varizes costumam exigir entre 20 e 30 mmHg. Os mesmos autores destacam algo simples e importante — pressão insuficiente reduz a eficácia da peça, e pressão excessiva causa desconforto. Ou seja, mmHg não é uma escala de “quanto mais, melhor”: é uma faixa pensada para cada finalidade, e sair dela para cima não traz vantagem nenhuma.

Como esse número é medido e verificado

Existem métodos formais para checar se uma peça realmente entrega a pressão que promete, em vez de depender só do que está escrito na etiqueta. Na Alemanha, o selo RAL-GZ 387 organiza essa verificação em quatro classes de pressão no tornozelo, testadas por institutos como o Hohenstein com equipamentos específicos, capazes de medir pernas de 12 a 150 cm de circunferência. Na Europa, existe ainda o CEN/TR 15831, um relatório técnico que define um método de referência para medir a pressão de interface de meias e peças de compressão médica, incluindo peças feitas sob medida — ou seja, o método não vale só para tamanhos de prateleira.

E no Brasil?

Vale ser direto sobre isso: o Brasil não tem uma norma técnica da ABNT dedicada especificamente a peças ou meias de compressão. Na ausência de uma norma brasileira própria, o mercado nacional costuma seguir o padrão alemão RAL, o mesmo descrito acima. A regulação desse tipo de produto no Brasil passa pela Anvisa, como dispositivo médico, e não por uma norma técnica da ABNT — são duas coisas diferentes: uma mede a pressão do tecido, a outra regula o produto como um todo.

Nem toda peça com “compressão” no nome foi testada assim

Vale um parêntese de transparência: nem toda peça vendida como “compressiva” passou pelos testes do RAL-GZ 387 ou de um método equivalente. Uma peça pode ser confortável e mesmo assim nunca ter sido medida em mmHg por nenhum instituto — isso não a torna necessariamente ruim, mas significa que o número na etiqueta, quando existe, é o que permite comparar uma peça com outra de forma objetiva. Sem esse número, “compressão firme” é uma descrição, não uma medida.

O que fazer com essa informação

Saber o que o mmHg significa ajuda a entender o que uma peça ou uma classe de compressão promete entregar — e a diferenciar isso de uma promessa vaga de “aperto” ou de “modelagem firme” escrita numa etiqueta sem nenhum número por trás. Mas qual classe de compressão é adequada para cada situação específica é uma decisão que cabe ao médico, não a uma escolha feita sozinha a partir de um número na etiqueta. Se o seu uso tem uma indicação médica, essa é sempre a primeira conversa antes de escolher a peça.

Para conhecer as faixas de compressão com mais detalhe, o próximo artigo deste guia explica como as classes leve, média e alta são definidas. E, para ver os modelos disponíveis, o catálogo está aberto para consulta.

Fontes

  • Lozo M, Penava Z, Ledinsky I, Vrljicak Z. The Structure and Compression of Medical Compression Stockings. Materials (MDPI), 2022. pmc.ncbi.nlm.nih.gov · CC BY 4.0 (resumido).
  • Xiong Y, Tao X. Compression Garments for Medical Therapy and Sports. Polymers (MDPI), 2018. mdpi.com · CC BY 4.0 (resumido).
  • Hohenstein Institute. Testing of medical compression textiles according to RAL-GZ 387 and DIN 58133. Hohenstein, 2026. hohenstein.com · todos os direitos reservados (citado).
  • CEN (Comité Européen de Normalisation). CEN/TR 15831:2009 — Method for testing compression in medical hosiery. CEN Technical Report, 2009. standards.iteh.ai · todos os direitos reservados (citado).

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