Quando o assunto é escolher um cirurgião plástico, a pergunta mais comum — “quem é o melhor?” — é também a pergunta que nenhuma fonte confiável pode responder com uma lista. Não é falta de informação: é uma regra ética. O que existe, e o que de fato ajuda, é um método de verificação com três consultas públicas e gratuitas, que qualquer pessoa pode fazer antes de marcar uma consulta.
Por que não existe uma lista de “melhores cirurgiões”
A Resolução CFM no 2.336/2023, que rege a publicidade médica no Brasil, é explícita sobre esse ponto. No texto que compara a resolução atual com a norma anterior, o Artigo 11, inciso XIII, veda ao médico “permitir, autorizar ou não impedir que seu nome seja incluído em listas de premiações ‘médico do ano’ e etc”. Ou seja: não é apenas desaconselhável um médico participar de um ranking promocional de “melhor cirurgião” — é uma infração ética ele próprio permitir que isso aconteça.
Por esse motivo, nenhum conteúdo deste site lista ou recomenda nomes de médicos ou clínicas. Em vez de um ranking, que a própria regulamentação médica torna arriscado para qualquer profissional que aceitasse participar, o caminho seguro e verificável é outro: aprender a checar, por conta própria, se um cirurgião tem as credenciais que ele afirma ter.
Passo 1 — confirmar que o registro está ativo (CRM)
O primeiro filtro é o mais básico: o médico precisa ter registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde atende. O CFM mantém um portal nacional, o CRM Virtual, que direciona para o site de cada um dos 27 conselhos regionais. Para quem está em Goiás, a consulta pode ser feita diretamente na busca de médicos da CREMEGO, informando nome, número de CRM, município ou especialidade.
Essa consulta também revela detalhes que valem atenção: um número de registro seguido da letra “P” indica um registro provisório, concedido por decisão judicial; registros com prefixo “EME” são de estudantes estrangeiros de medicina; e prefixo “300” indica médico estrangeiro com registro provisório por visto. Nenhuma dessas situações é, isoladamente, um problema, mas são informações que ajudam a entender exatamente qual é o status do profissional.
Passo 2 — confirmar a especialidade (RQE)
Ter registro no CRM garante que a pessoa é médica. Isso não garante, por si só, que ela seja especialista em cirurgia plástica. Essa segunda camada de verificação é o RQE — Registro de Qualificação de Especialista –, que confirma se o médico concluiu residência ou título de especialista reconhecido pelo CFM na área específica.
A própria Resolução 2.336/2023 torna essa checagem mais fácil: um médico sem especialização reconhecida pode até anunciar que faz um determinado procedimento, mas a norma exige que apareça, junto ao anúncio, a expressão “NÃO ESPECIALISTA” de forma visível. Ou seja, a ausência dessa informação — ou, ao contrário, a presença dela — é algo que o próprio paciente pode notar diretamente no material de divulgação do profissional, além de confirmar a informação na consulta oficial de registro.
Passo 3 — confirmar a filiação a SBCP
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) exige de seus membros um caminho de formação longo: seis anos de graduação em medicina, três anos de residência em cirurgia geral e mais três anos de residência específica em cirurgia plástica, além de provas escritas e orais de título de especialista. A própria SBCP afirma que todo associado deve, obrigatoriamente, poder ser encontrado na busca oficial da entidade.
Essa consulta pode ser feita no buscador nacional da SBCP, por nome ou por estado, ou na versão regional de Goiás, o buscador da SBCP-GO.
Vale uma ressalva importante: a própria SBCP reconhece publicamente que não tem poder de fiscalização sobre médicos que não são seus associados, nem sobre clínicas clandestinas — ela pode receber denúncias e encaminhá-las ao CFM ou à Justiça, mas não pode impedir a atuação de terceiros. Por isso, a ausência de um nome na busca da SBCP não prova, sozinha, irregularidade — mas a presença de registro ativo no CRM e do RQE de cirurgia plástica são, essas sim, as checagens que têm peso legal.
Por que esse cuidado importa na prática
Casos recentes noticiados no Brasil — de clínicas com denúncias acumuladas de pacientes a médicos que seguiram atendendo após restrições judiciais — mostram por que as três checagens acima não são burocracia excessiva. São exatamente o tipo de verificação que, feita antes de qualquer procedimento, permite identificar sinais de alerta que não aparecem em um site bonito ou em uma página de rede social bem cuidada.
Nenhuma dessas consultas exige cadastro, pagamento ou intermediário — são ferramentas públicas, mantidas pelos próprios conselhos e sociedades médicas, e o caminho mais confiável para checar credenciais antes de marcar uma consulta.
Fontes
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM no 2.336/2023 — o que muda. publicidademedica.cfm.org.br, 2023. publicidademedica.cfm.org.br · sem licença aberta declarada (citado).
- Conselho Federal de Medicina (CFM). CRM Virtual. crmvirtual.cfm.org.br, 2026. crmvirtual.cfm.org.br · sem licença aberta declarada (citado).
- Conselho Regional de Medicina de Goiás (CREMEGO). Busca de médicos. cremego.org.br, 2026. cremego.org.br · sem licença aberta declarada (citado).
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Encontre um cirurgião. cirurgiaplastica.org.br, 2026. cirurgiaplastica.org.br · sem licença aberta declarada (citado).
- SBCP Goiás. Encontre o seu cirurgião. sbcpgoias.org.br, 2026. sbcpgoias.org.br · sem licença aberta declarada (citado).
